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Desospitalização: uma nova forma de tratar o paciente

Quem tem o mínimo de contato com a área da saúde sabe que, hoje, duas palavras parecem resumir o setor: redução de custos e humanização. De um lado, gestores estão preocupados em cuidar da saúde financeira das instituições, reduzindo gastos ao otimizarem atividades rotineiras com o uso da tecnologia. De outro, pacientes clamam por serviços que acolham e valorizem o cuidado através da segurança. A desospitalização, dessa maneira, parece uma boa forma de alinhar tais expectativas.

Isso porque a nova tendência mundial prevê o tratamento dos enfermos num ambiente fora dos hospitais, percebido que o quadro do paciente é estável ou que sua recuperação será lenta. O fenômeno vem de encontro à ideia clássica da clínica enquanto ambiente que resolverá os problemas: trata-se, portanto, de uma mudança no modelo de cuidados do paciente.

Mas, afinal, quais os desafios envolvidos num tratamento do tipo? Há muitas vantagens para o paciente?

É claro que as respostas para essas perguntas dependem da especificidade de cada negócio. Para te ajudar a respondê-las, no artigo abaixo, te introduzimos ao tema sem muito segredo. Confira!

Desospitalização em saúde: Brasil e mundo

Foi numa matéria de 1997, na Folha de São Paulo, que o jornalista Luís Nassif se referiu à desospitalização hospitalar como “o pilar central da revolução que ocorre no setor de saúde”. A definição, embora soasse exagerada, dizia respeito às primeiras experiências mundiais que reduziam os leitos das instituições. Afinal, na época, Holanda, Canadá e EstadosnUnidos davam os primeiros passos rumos à  desinstitucionalização médica.

Hoje, é o Brasil quem tenta reduzir o tempo de internação do paciente, dando prosseguimento a seus cuidados fora das organizações. Segundo a Folha, em 2015, haviam oito unidades de transição, que se tornaram 25 no ano passado. Um bom exemplo é a clínica paulista Sainte Marie, que investe não só em tais práticas, mas as alia à musicoterapia e yoga para os pacientes.

De forma similar, o gaúcho Hospital Moinhos de Vento conta com um Time de Planejamento de Alta. A equipe, à ativa desde 2013, tem o objetivo de garantir a transição entre clínica e domicílio.

Mas temos lá nossos desafios. O maior deles, talvez, gire em torno  da falta de legislação da Anvisa, reguladora vinculada ao Ministério da Saúde. Sem qualquer instrução, atividades do tipo ficam a cargo de regras municipais ou de cada estado. Também há os familiares e acompanhantes que desaprovam ideia, geralmente por não terem a estrutura necessária para o cuidado em casa.

Mas por quê?

Diante da amplitude do fenômeno, há quem diga que a desospitalização é o grande fenômeno do nosso tempo. De forma geral, aqui estão os fatos que justificam essa visão:

  • Mudança demográfica: afinal, uma pesquisa de 2018 do IBGE relevou um crescimento de 18% no número de idosos brasileiros. Algo que, definitivamente, pede um olhar mais humanizado dentro das clínicas.
  • Mudança no perfil das doenças: hoje, há uma prevalência de doenças crônicas sobre as agudas. Câncer, diabetes, hipertensão e hepatites são algumas delas. Isso significa a necessidade de acompanhamento contínuo mais que intervenções rápidas, algo que pode ser resolvido em serviços de home care.
  • Aumento dos custos em saúde: junto do crescimento da população idosa, o IBGE prevê mais gastos com o setor de saúde nacional. Como o custo assistencial da terceira idade é bem maior que dos mais novos, investir em formas alternativas de atendimento pode ser bom para o bolso do hospital (que não terá gastos com a internação, por exemplo).
  • Saúde humanizada: aparentemente, desenvolver métodos que levem em conta as necessidades psíquicas do paciente é uma tendência no país (pense no HumanizaSUS). Cada vez mais, laboratórios, clínicas e hospitais se atentam para a qualidade de vida dos pacientes, já que o novo perfil dos consultados é exigente. Trabalhar opções médicas em casa, assim, fortalece o emocional de quem está sendo atendido, já que ele estará mais próximo da família e amigos.

Os benefícios da desospitalização

Uma desospitalização segura traz consigo uma série de benefícios, como:

Mais saúde para o paciente

Há quem diga que o tratamento em casa é menos eficaz que o hospital, já que o paciente não terá todas as estruturas necessárias para o tratamento.

No entanto, a maioria dos casos de pessoas assistidas em domicílio mostra justamente o contrário. Afinal, estar em casa faz com que o paciente fique sujeito a menos riscos de infecção e outras doenças, já que o ambiente médico tende a concentrar algumas bactérias. É também uma vantagem para a instituição, porque diminui custos com eventuais tratamentos durante a internação.

Experiência profissional

Se para o paciente, a desospitalização pode ser uma forma de estar junto dos entes queridos, para os enfermeiros e médicos essa é uma oportunidade de aprender outras maneiras de se trabalhar. Mudar o local de trabalho significa, na prática, descobrir novas formas de comunicação, como lidar mais de perto com a família. No final, é aprendizado para todas as partes.

Mais leitos disponíveis

Além da diminuição dos custos com internação, há outra coisa que práticas de desospitalização reduzem: a quantidade de leitos médicos ocupados. Em uma época na qual a falta de leitos é observada na maior parte do país, a medida pode ser uma aposta diante das consequências do encolhimento dos planos e da falta de investimento público.

No final do ano passado, por exemplo, somente o Programa Estadual de Desospitalização da Bahia retirou dos hospitais de todo o estado mais de 300 pacientes crônicos, hoje tratados em suas casas pela Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab). Sabe o que isso quer dizer? Mais que a desocupação dos leitos, a oportunidade de que outros pacientes sejam atendidos… sem gastar um centavo a mais com novos móveis.

E sua instituição, já conta com alguma ação para desospitalar os pacientes? O que você pensa sobre o tema? Converse com a gente pelos comentários!CTA (3)

 

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